adiei minha ida para sena madreira, vou amanhã. hoje pela manhã fui ao centro botar as páginas na internet. fui no cyber c@fé e em pouco mais de duas horas já estava tudo atualizado. consutei e-mail e verifiquei algumas páginas na rede. depois fui dar uma volta e encontrei um labirinto de ruelas por trás das lojas, paralelo ao rio acre. várias portinhas com produtos de pesca, de umbanda, peças de reposição para eletrodomésticos, em fim, coisas. já na orla, achei um barzinho com uma mesa de seis mulheres e puxei papo. comprei uma cerveja e fui descobrindo que duas delas moraram muitos anos em porto velho. contei de minha intensão de viajar de barco para manau e elas me deram muitas dicas. falavam da viajem como se a fizessem todo mês. conheciam os barqueiros, os barcos, datas, horários e preços. consegui saber o que nenhuma agência de viagens soube me dizer. saíndo dalí, fui fazer uma impressão do diário de bordo. uma montagem com todas as imagens que ficou com um metro e meio de comprimento. a noite fui conhecer uma igreja do daime, participar da cerimônia e tomar o chá. sentados em torno de uma mesa, todos cantaram e rezaram por três horas. eu não conhecia os cantos e fiquei quieta, de olhos fechados, escutando. senti uma calma profunda, muita tranquilidade, a música funcionou como um escudo entre o espaço onde estávamos e o mundo lá fora. nos primeiros momentos eu ainda consegui prestar atenção nas músicas e nas pessoas ao meu lado, mas quando tomei o chá pela segunda vez, meus pensamentos voaram para minha vida, meu passado, meus desejos, foi como sonhar acordada. em dois momentos abri os olhos , tentando me situar naquele espaço e saber o que acontecia em minha volta. senti uma estranha densidade no ar, como se a atmosfera tivesse peso, textura, e tudo e todos estivessem suspensos. havia uma massa me separando das outras pessoas. mas a sensação foi muito gostosa. depois de encerrada a sessão, fui pedir um passe a uma preta velha. a moça que recebeu a entidade esta grávida. é uma moça muito bonita e eu fiquei fascinada com seu rosto e sua barriga que dançava na minha cara enquando dava o passe. voltei a pé para a casa da cila e do marcus quase flutuando. era noite de lua cheia.