palácio dos capitães generais 1985 - inauguração da reforma do palácio, gov. julio campos e prefeito tito profeta tito profeta da cruz, ex-prefeito, atual secretário de cultura sr. elízio ferreira de souza - nativo, artista e batalhador pela cultura de vila bela janela namoradeira do palácio

igreja matriz da santísima trindade construída em1793 detalhe da parede de barro da igreja matriz

ponte sobre rio guaporé ponte construída em 1997 parque estadual da serra ricardo franco rio da cachoeirinha detalhe do fundo do rio

 flor de musgo- aproximadamente 3mm, uma jóia!

amanheci assistindo ao jogo da copa entre coréia e alemanha, lavando a roupa suja que acumulava. após o jogo fui ao palácio dos capitães-generais, sede das secretarias de cultura e turismo de vila bela da santíssima trindade. fui recebida pelo senhor tito profeta da cruz e pelo sr. elízio ferreira de sousa, ambos naturais de vila bela, terceira ou quarta geração descendente dos escravos aqui trazidos pelos portugueses. pessoas extraordinárias, que relataram a história da cidade fundada para ser a primeira capital do mato grosso. em 1736 fundou-se o arraial de são francisco xavier no alto da serra da borda, primeira fixação luso-brasileira na região. em 1748 foi criada a capitania do mato grosso, e em 1752, após vários anos de peregrinações pela região, o capitão-general antônio rolim de moura escolheu o arraial de pouso alegre para fundar a capital vila bela da santíssima trindade. a comunidade teve seu auge entre 1771-79, com a extração de ouro e poder político. aqui viviam nobres portugueses, negros escravos e a santa igreja católica, além do índios da região que não eram civilizados nem incorporados à comunidade. com a mudança da capital para cuiabá, após o término dos conflitos de fronteira com os espanhóis, a cidade foi abandonada pelos portugueses, os ex escravos foram viver nos garimpos e apenas poucos deles permaneceram na vila, que foi durante muitos anos atacada pelos índios. durante este período, o acesso a vila se fazia pelo rio guaporé. foram muitos anos de isolamento. aos poucos os descendentes dos escravos nos garimpos foram retornando, mas o casario e a igreja já haviam sido, em sua grande parte, destruídos. em 1905 foram instaladas pelo marechal cândido rondon linhas telegráficas, e, no mesmo período, foram documentadas as principais edificações da vila. apenas na década de 70, vila bela da santíssima trindade foi inserida no contexto econômico regional. durante o período de abandono, padres visitavam a vila uma vez ao ano para oficializar casamentos, batismos e outras cerimônias. neste período eram realizadas as festas, que incluíam a dança do congo e do chorado. sr. tito e sr. elízio reuniram algumas fitas de vídeo com imagens destas festas, além de imagens das comemorações os 200 anos de vila bela, em 1952, com a visita de autoridades políticas e culturais da época, como assis chateaubriand. este ano estão comemorando 250 anos de fundação e todo mês tem uma festa com presenças ilustres e artistas consagrados, principalmente negros, como nana vasconcelos, martinho da vila, dentre outros. a região é belíssima, com cachoeiras de deixar o véu de noiva da chapada dos guimarães e itiquira, em goiás, com inveja. hoje o município já recebeu imigrantes de várias regiões do país, mas a preservação da cultura negra é cultivada por nativos como sr. tito e sr. elízio, que criaram associações que reúnem homens e mulheres em torno dos festejos. a dança do congo representa a luta entre dois povos, um comandado pelo rei outro pelo embaixador. a dança é uma performance comunitária, só de homens, similar às de goiás e suas festas do divino. a dança do chorado é realizada apenas por mulheres. na época da escravidão, os patrões portugueses, que não traziam suas mulheres para a vila, em noites de festa, chamavam as negras para dançarem para eles. estas, aproveitavam a ocasião para seduzir os patrões e pedir favores para seu filhos e companheiros, até mesmo a liberdade. sr. elízio explicou que o nome da dança descreve a dor das mulheres enquanto dançavam para seus patrões. hoje, a dança continua expressando a força de sedução das mulheres que se divertem provocando os homens. é tão divertido que o grupo fechado de 20 mulheres, umas com mais de setenta anos, não abre mão da dança e não permite a entrada de outras mulheres. para alguém entrar, alguém deve sair, e ninguém quer sair! este ano a festa será realizada em 18-19 de julho e infelizmente não poderei assistir.



We woke up watching the soccer game between germany and korea and washing dirty clothes. After the game i went to the capitães-generais's palace, where the cultural and tourist department of vila bela da santíssima trindade is located. I was greeted by mr. tito profeta da cruz and mr. elízio ferreira de sousa, both third generation of slaves, brought here by the portuguese landlords, during the time when vila bela was the capital of the state of mato grosso. In 1736 the first village was founded, 12 years later the 'captania' of mato grosso was created, and in 1752 the captain-general of mato grosso chose the village to be the capital of the state. The golden years occurred between 1771-1779, with gold extraction and political power. The community was composed of nobel portuguese and brazilian born citizens, black slaves, the catholic church and local native indians that refused education and were not incorporated in the community. When the capital moved to cuiabá, the end of conflicts with the spaniards for the borders, the city was abandoned by the noble portuguese leaving behind slaves and indians. Because of the conflicts between these two groups, without the protection of an army, the slaves fled to the mines and abandoned the city, leaving behind very few individuals that fought for their freedom and houses. Isolated for more than two hundred years, hiding from slavery, the community grew, members returned from their hiding places in the mines, and not only until about 40 years ago this group was reintegrated into the country's cultural and economic scenery. Access to vila bela was possible only by boat, on the guapore river, and six months ago the road to the nearest town was concluded. Unfortunately, most of the town was destroyed. In 1905 telegraphic lines were installed by marshal rondon. During the period of isolation, vila bela was visited by priests once a year, when baptisms, marriages and other celebrations occurred in ceremonies with traditional african cultural influence, such as the dance of congo and chorado.