CONTEXTUALIZAÇÃO
CAPÍTULO 1
ARTE E CONTEMPORANEIDADE: REFERÊNCIAS CONCEITUAIS
Alta tecnologia ou high-tech - arte e estética
R. L. Rutsky (1999), professor de cinema, televisão e teatro da Universidade de Notre-Dame, defende a tese de que a sociedade chamada de pós-moderna também poderia ser chamada de tecnocultural. Ele reforça o argumento de que a noção de modernidade, como a de pós-modernidade, está relacionada à tecnologia, e que a diferença entre as duas está não tanto no viver essa tecnologia, mas na concepção que a sociedade tem dela, ou de como se vive a tecnologia na cultura contemporânea.
Martin Heidegger diz que a concepção instrumental da tecnologia [modernidade], porque restringe a definição do tecnológico a termos instrumentais, nos "cega" em relação a uma "essência" mais abrangente que informa as diversas concepções da tecnologia tradicional e a techné dos antigos gregos.
Segundo esses autores, a alta tecnologia contemporânea ou tecnologia high-tech não é meramente mais tecnologia, mas um fazer que envolve aspectos não instrumentais, ou não tecnológicos, muitas vezes considerados incompatíveis com a própria tecnologia moderna, como a arte e a estética.
O objeto tecnológico deixou de se expressar e de ser valorizado apenas por seu caráter instrumental. O objeto high-tech é um objeto que apresenta uma estética, possui um design, representa uma função, mas pode não ser funcional.
A estética high-tech, além de representar uma abstração, ou estetização de formas tecnológicas, também envolve um processo de reprodutibilidade tecnológica, o que possibilita que qualquer forma ou elemento cultural possa ser abstraído de seu contexto, gravado em vídeo, digitalizado, reproduzido, alterado e reagrupado. É um processo que faz com que qualquer objeto perca suas referências de funcionalidade e passe a ter seu valor a partir de sua própria lógica estética.
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Outra característica da tecnologia high-tech é a proporção direta entre quanto mais mínimo, mais complexo, mais maleável, e isso, em linguagem tecnológica, significa que mais capacidade ele possui de produzir ou armazenar informação, aumentando seu grau de complexidade.
A tecnologia high-tech permeia, hoje, praticamente todos os ambientes de pesquisa, principalmente os científicos e artísticos. Na sociedade contemporânea, é comum encontrar o desejo pela alta tecnologia. Esse desejo não está mais calcado na instrumentalidade ou na funcionalidade do objeto tecnológico, mas na sua capacidade de fazer com que seu usuário se desprenda de sua realidade natural e mergulhe num universo de ficção, estético, futurístico, pós-humano. Dentro da tecnocultura, a Internet é um dos ambientes tecnológicos que mais ganhou espaço junto ao público leigo, no qual os "cibercidadãos" se manifestam e se comunicam.