CONTEXTUALIZAÇÃO


CAPÍTULO 1
ARTE E CONTEMPORANEIDADE: REFERÊNCIAS CONCEITUAIS

Moderno e Pós-Moderno

Octávio Paz define os tempos Modernos como tempos sem permanência, que chamar-se de moderno, ou de novo, é condenar-se ao ostracismo no momento seguinte. Moderno é "um nome oco, quer dizer, um nome que pode ser recheado com vários conteúdos", um vazio que advém de uma denominação adjetiva que se alimentou da pretensão de representar o "novo".

A cultura da modernidade pode ser compreendida como a paixão do ser humano pelo desconhecido e sua capacidade de inventar, desvendar, e ironizar o mundo ao seu redor, desconstruindo idéias e reconstruindo realidades: cubismo, futurismo, expressionismo, fauvismo, construtivismo, dadaismo, surrealismo...

Na Pós-Modernidade, compreendendo-se esta como o período que iniciou após os anos 50, o universo das artes experimentou uma fase de transição que atinge seu ponto de não-retorno com a aplicação da tecnologia digital e da telemática na produção artística.

Ressaltamos três fatores preponderantes para essa transição: a ciência (a quebra de paradigmas e as novas alianças da ciência com outras áreas de conhecimento); a filosofia (um pensamento conjugado com história, psicanálise, antropologia); e a tecnologia digital (o surgimento e popularização dos sistemas informatizados e suas características no modo de produção não-linear).

Observamos duas atitudes fundamentais para a compreensão da produção cultural pós-moderna: a recusa do funcional, que nas artes representa a recusa de pré-estruturas, como a do pragmatismo no uso das cores, das formas, das perspectivas e dos suportes formais, etc.; e o recurso ao estoque cultural encontrável na história ou cultura local, regional ou particular, rompendo com a obsessão com o impessoal ou geral.

Comparamos dois termos fundamentais desses dois momentos: a "composição" no modernismo e o "processo" no pós-modernismo. O primeiro pré-define o trabalho em função de uma estrutura formal (visual, sonora rítmica, etc.) e conceitual que vai delimitar os procedimentos adequados para a construção dele. O segundo é um conjunto de conceitos e procedimentos, ações e reações, que vão sendo adotados e incorporados à construção do trabalho, permitindo que este seja ou o resultado de um determinado processo, ou até mesmo o processo em si.

Como exemplo citamos, no teatro, Artaud que propõe o abandono do produto teatral, optando pela produção teatral, ou seja, pelo processo de criação da cena. Na dança, o trabalho de Pina Bausch e seus dançarinos/coreógrafos busca significação e conteúdo gerados a partir de um quadro de relações que é construído durante o processo de criação, muitas vezes fruto de relatos de experiências pessoais de seus membros. Assim como nas artes visuais, o teatro e a dança abandonam a expressão "representação" pela expressão "apresentação", e a expressão "espetáculo" por "experiências cênicas".

  
Água, de Pina Bausch e grupo      I Like America and America Likes Me

Nas artes visuais, a performance reuniu a expressão visual e a ação cênica presente, incorporada no trabalho plástico, como no trabalho de Joseph Beuys. Renato Cohen intitulou sua pesquisa de Work in Progress, procurando "nomear um topos da Cena Contemporânea, considerada como conjunto de eventos, peças, manifestações, performances e acontecimentos periodizados nas décadas de 80 e 90".